Rafa Roots: quando a bicicleta deixa de ser esporte e vira propósito
17 de July de 2026Da pista de BMX do Mineirão às montanhas da Nova Zelândia, Bolívia e Peru, o mineiro Rafa Roots transformou décadas de experiência no mountain bike em um método próprio de ensino que já formou centenas de ciclistas.
Para algumas pessoas, a bicicleta é um esporte. Para outras, um meio de transporte ou uma forma de lazer. Para Rafael Vilela, conhecido por todos como Rafa Roots, ela sempre foi muito mais do que isso: tornou-se um estilo de vida.
Aos 44 anos, o belo-horizontino acumula uma trajetória que passa por competições de cross-country, downhill, expedições internacionais, construção de trilhas e bike parks, além da formação de novos ciclistas por meio da Roots Bike School. “Falar sobre mountain bike para mim é falar da minha vida. Tudo sempre girou em torno da bike: amigos, viagens, família, trabalho… Trabalho e diversão sempre estiveram juntos porque eu amo o que faço.”

O início de tudo
O primeiro contato de Rafa com as bicicletas aconteceu ainda na infância, incentivado pelo pai, que praticava trilhas de moto. Enquanto acompanhava o universo do motociclismo, Rafa e o irmão descobriram que a verdadeira paixão estava nas bicicletas. “O mais engraçado é que meu pai fazia trilha de moto e nos levava junto. Eu gostava muito de moto, mas eu e meu irmão acabamos nos apaixonando mais pela bicicleta.”
Foi na antiga pista de BMX do Mineirão — hoje inexistente — que surgiram as primeiras manobras, os primeiros desafios e a vontade de evoluir cada vez mais. A primeira competição veio em 1997, em uma prova de regularidade realizada na Serra do Cipó. Pouco tempo depois, participou do tradicional Iron Biker e iniciou uma sequência de provas que passou pelo cross-country, downhill, enduro e corridas de aventura.
Muito além das competições
Com o passar dos anos, o espírito competitivo foi dando espaço a outro tipo de desafio. Em vez de buscar apenas resultados, Rafa passou a viajar em busca de novas montanhas, trilhas e culturas.
Foi assim que pedalou por países como Austrália, Estados Unidos, Nova Zelândia, Bolívia, Peru e Argentina. Nos Estados Unidos conheceu as famosas trilhas de Utah. Na Nova Zelândia teve contato com escolas especializadas de mountain bike para crianças, experiência que ajudaria a moldar sua própria metodologia de ensino anos depois.

Na Bolívia viveu durante cerca de três anos trabalhando como guia de mountain bike na lendária Estrada da Morte e em trilhas de alta montanha, conduzindo inclusive atletas profissionais em descidas que ultrapassam os 5.500 metros de altitude.
Também participou do tradicional Inka Avalanche, no Peru, e desenvolveu o projeto Ride Los Andes, percorrendo diferentes regiões da Cordilheira dos Andes enquanto realizava doações de bicicletas para comunidades carentes.
Ao retornar ao Brasil, trouxe na bagagem muito mais do que quilômetros pedalados. Trouxe uma nova forma de enxergar o mountain bike.
Construindo trilhas e formando ciclistas
De volta a Minas Gerais, Rafa passou a atuar também na construção de trilhas e pistas em locais como Nova Lima, Macacos, Serra do Cipó e Retiro das Pedras, ajudando a desenvolver espaços voltados ao enduro, downhill e pump track.

Ao mesmo tempo nasceu a Roots Bike School, criada há cerca de dez anos. Desde então, aproximadamente 300 alunos passaram oficialmente pela escola, além de inúmeros jovens atendidos de forma espontânea nas pistas e projetos sociais. “Tem muitos meninos que chegavam de chinelo e com bicicleta simples. Quando via que tinham vontade de aprender, eu ajudava. Sempre fiz isso naturalmente.”
Um método próprio
Depois de tantos anos pedalando e ensinando, Rafa desenvolveu uma metodologia própria. O objetivo não é fazer o aluno depender de dezenas de aulas, mas acelerar seu desenvolvimento técnico em pouco tempo. O método é baseado em três pilares: Equilíbrio, Conexão e Fluidez.
A escola atende desde crianças e iniciantes até atletas de alto rendimento, além de idosos e pessoas dentro do espectro autista. Mais do que ensinar curvas, saltos ou técnicas de pilotagem, Rafa procura mostrar como o mountain bike pode transformar vidas. “Quero passar para os alunos não só técnica, mas tudo o que a bike pode proporcionar para a mente, para a alma e para a vida. Os desafios do mountain bike nos tornam pessoas mais fortes para enfrentar os desafios do dia a dia.”

Uma pausa… que durou pouco
Há cerca de três anos, Rafa decidiu mudar de cenário. Foi morar em Florianópolis, buscando se afastar um pouco da rotina construída em torno da bicicleta. Mas a pausa durou pouco. As trilhas da Ilha de Santa Catarina logo o reconectaram ao esporte, surgiram novos alunos e a Roots Bike School também ganhou espaço no Sul do país.
Depois desse período, retornou para Minas Gerais. Hoje divide seu tempo entre a oficina, a escola de mountain bike e novos projetos de construção de trilhas.
As competições já não ocupam o mesmo espaço de antes. Agora, a maior satisfação está em ajudar outras pessoas a descobrir tudo aquilo que a bicicleta proporcionou ao longo de sua própria vida.





