Top 5: As Mountain Bikes Mais Estranhas dos Anos 1990 (com bônus extra)
19 de February de 2026A década de 1990 foi um laboratório a céu aberto para o mountain bike. As marcas experimentavam novos materiais, geometrias pouco convencionais e soluções quase radicais para resolver problemas como peso, eficiência de pedalada e controle em descidas. Nem todas as ideias sobreviveram, mas muitas deixaram marcas profundas — e algumas renderam algumas das bikes mais estranhas e memoráveis da história.
1. IBIS BOW Ti
A Ibis Bow Ti parecia saída de um projeto aeroespacial — e, em parte, era isso mesmo. Concebida por John Castellano, engenheiro formado no MIT com passagem pela Hughes Aerospace, a bike usava um sistema de suspensão traseira com flex pivots, inspirado em aplicações aeronáuticas pela confiabilidade estrutural. O resultado foi um quadro de titânio com 5 polegadas de curso traseiro, leve e avançado para 1998, quando custava US$ 3.500. Visual exótico à parte, funcionava muito bem — tanto que hoje ainda é cultuada por colecionadores.

2. KLEIN MANTRA LT
A Klein já era referência nos anos 80 por suas bikes de cross-country extremamente leves. Quando lançou a Mantra LT em 1998, chamou atenção imediatamente. O desenho era ousado, o curso de suspensão era generoso para a época e, ainda assim, pesava pouco mais de 11 kg — muito próximo de uma hardtail de competição. Era uma tentativa clara de unir desempenho de corrida com maior capacidade técnica, algo que ainda estava sendo definido no MTB daquele período.

3. NATURAL DYNAMICS OGRE
Se a busca era por ajuste fino de geometria, a Natural Dynamics levou isso ao extremo. A Ogre tinha um tubo de selim articulado junto ao movimento central, permitindo variar drasticamente o ângulo do canote: cerca de 62° para descidas e quase 88° para subidas íngremes. Em teoria, era uma solução brilhante para adaptar a bike ao terreno. Na prática, a ideia nunca ganhou tração. Pouco se sabe sobre quantas foram produzidas, e praticamente não há registros atuais da marca.

4. RITCHEY LITEBEAM
Tom Ritchey ajudou a criar o mountain bike quando ele ainda não tinha suspensão. Cético quanto aos sistemas convencionais, decidiu propor algo diferente: a LiteBeam usava um tubo flexível para sustentar o selim e absorver impactos, conceito que já havia aparecido na Softride Allsop no início da década. Além disso, incorporava um avanço com suspensão de até 60 mm de curso. O problema? Nem a equipe de corrida da própria Ritchey quis usar, e o público também não se empolgou. Cerca de 100 quadros foram produzidos antes do projeto ser abandonado.

5. SLINGSHOT
Talvez nenhuma bike dos anos 90 tenha causado tanto estranhamento quanto a Slingshot. No lugar do tubo inferior tradicional, havia um cabo tensionado. A ideia surgiu após o criador quebrar o downtube de sua bike convencional e perceber que o comportamento do quadro havia mudado para melhor. O cabo funcionava como elemento elástico: absorvia impactos ao comprimir e devolvia energia como uma mola. Visualmente, parecia uma piada. Na trilha, porém, surpreendia positivamente — muitos realmente gostavam de pedalar nela.

BÔNUS: WHYTE PRST
A Whyte PRST nasceu em 1997, idealizada por Jon Whyte e Adrian Ward enquanto aguardavam um tufão passar no aeroporto de Taipei. O objetivo era eliminar o “fork dive” típico das suspensões dianteiras da época. O resultado foi um design pouco convencional, mas extremamente eficiente na prática. Diferente de várias outras ideias radicais dos anos 90, a PRST não ficou só na curiosidade: vendeu mais de 2.800 unidades e ainda venceu corridas, provando que inovação estranha nem sempre significa fracasso.




